domingo, agosto 11, 2013

Alienação


A palavra “alienar” vem do latim, dos termos alienus – “que pertence a outro”, e alius – “outro”, e significa transferir algo ou o poder sobre algo a outrem. Alienar, assim, significa tornar alheio, transferir para outra pessoa o que é seu.


Há várias formas de alienação: jurídica, mental, idólatra, na política, no trabalho, no consumo e no lazer. Na forma jurídica, a legislação que orienta sobre a compra, venda, doação ou troca de bens é garantida por documentos próprios, como escrituras, notas fiscais, títulos de propriedade e outros. Mesmo assim, muitas pessoas são lesadas nessas transações, seja por falta de malícia ou pura ignorância. Todas as formas são extremamente prejudiciais aos alienados, porque eles não sabem que assim são e porque são convencidos que estão certos em ser o que são. Acreditam, por força das ideologias, que o que sabem lhes basta, que o que têm é o que lhes cabe e que, se nasceram pobres, feios, negros, índios, brancos, doentes, neste lugar ou naquele, na mansão ou no barraco, pertencem a uma categoria determinada pela natureza ou por Deus. É como se Deus quisesse que fossem assim, que alguns sofram enquanto outros se divertem.


Acreditar em Deus é um quesito básico no julgamento das pessoas, como se o fato de elas acreditarem já bastasse para se tornarem moralmente corretas e éticas. Mas, sabemos que não é bem assim. É o mesmo que não gostar do pai ou da mãe. Geralmente, uma pessoa não confessa que não gosta de seu pai ou de sua mãe. Mesmo que todos saibam que há pais horríveis, que escravizam, agem com violência e até abusam sexualmente de seus filhos. Como o ‘pátrio poder’ delega aos pais o poder de determinar o destino dos seus filhos menores, acredita-se que Deus possui um poder sobre os homens, seus filhos espirituais. Desta forma, Deus se torna o ‘todo poderoso’, capaz de determinar ou de alterar o destino dos homens ao seu bel prazer. Como nem sempre essa determinação é benéfica e prazerosa, fecha-se a boca, pois falar mal de Deus não se deve, com o risco de ser socialmente julgado como ingrato, herege, blasfemo, pervertido etc.


A maioria das religiões prega que o homem possui o livre arbítrio. Então se pode deduzir que ele constrói sua própria jornada nesse mundo, que independem da vontade de Deus o bem ou o mal que lhe acometem, que não pode ser creditada a Ele suas desgraças e infortúnios. Já foi dito que os homens são ágeis em acusar, mas são lentos em agradecer.


Mesmo crendo que Deus seja o pai espiritual de todos e de tudo, muitas pessoas utilizam-se constantemente de expedientes escusos, transferindo o poder, que é divino, a entidades diversas, como santos, anjos, espíritos, demônios, duendes etc., acreditando que estas entidades sejam capazes de realizar feitos prodigiosos e, principalmente, de resolverem seus problemas do cotidiano. Discórdia conjugal, casamento, dívida, doença, perda de objetos etc., são os temas mais comuns que eles têm de resolver mediante uma reza, promessa, simpatia ou até mesmo uma chantagem. Se Deus é o todo poderoso, por que se recorre a essas práticas e qual a intenção de retirar o poder Dele e transferir a outro ser? A essa transferência de poder dá-se o nome de alienação religiosa.


Outras pessoas transferem a Deus a responsabilidade de seus atos ou sua incompetência em resolver simples problemas. É comum ouvirmos frases do tipo: “entregue nas mãos de Deus”, como se Ele estivesse aí só para cuidar das picuinhas humanas. Ou: ”Deus é maior”, como se Ele fosse vingar o mal que alguém recebeu. Ainda: “Deus é fiel”, como se Ele jamais abandonasse uma pessoa, mesmo que ela cometa os crimes mais atrozes, até o de cobrar para pregar as palavras que deixou aos homens. Esta é outra forma de alienação religiosa.

Obs.: Não confunda alienação religiosa com idolatria ou com mancia. Veja textos sobre os temas neste blog - marcador: Filosofia."
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