sexta-feira, agosto 19, 2011

Brasil: de escravo a senhor feudal


Passamos de escravos a senhores feudais? Bastou experimentar um pouco de estabilidade econômica para o Brasil escravizar bolivianos, peruanos, mexicanos e colombianos? Se for pra ser "potência mundial" com um peso desse nas costas dos outros e na nossa consciência, é melhor deixar passar a chance. Por que eu tô dizendo isso? Porque essa semana descobriram que várias marcas milionárias e muito conhecidas no Brasil estão usando trabalhadores escravos para fabricarem suas roupas em galpões de confeçção onde pessoas trabalham até 16 horas por dia sentadas em cadeiras de madeira costurando sem parar para no final do mês ganharem MENOS do que um salário mínimo. Muitos deles não conseguem nem pagar um aluguel então são obrigados a morar no local onde trabalham em condições desumanas e perigosas já que até as instalações elétricas são precárias.

Ainda assim, os responsáveis pelas lojas recebem a produção mensal com um sorriso no rosto porque  multiplicam o valor da peça até não poderem mais e nós, bobos da corte, compramos porque "é roupa de marca".


Segue a reportagem da revista Veja:
Etiquetas da Brooksfield e de outras cinco marcas foram encontradas em fábrica ilegal, em Americana.

Nem só a Zara entrou na mira do Ministério do Trabalho por comportar, em sua cadeia, peças originadas de trabalho realizado em condições análogas à escravidão. Em uma fiscalização realizada em maio deste ano, na cidade de Americana, interior de São Paulo, foi encontrada uma outra casa que funcionava como confecção e moradia de 52 trabalhadores, sendo a maioria deles bolivianos. No local havia uma produção de calças jeans que portavam etiquetas, além da Zara, de outras seis marcas: Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d’Água e Tyrol.

Como a maioria das peças era da Zara, a cadeia da rede espanhola no Brasil foi o alvo de mais investigações - que resultaram no flagrante da casa na zona norte de São Paulo. “Pretendemos chamar estas outras marcas para que ajustem as condutas em suas cadeias produtivas e será aberto um processo para apurar responsabilidades”, diz Fabíola Junges Zani, procuradoraregional do Trabalho.

Estas pequenas confecções irregulares, que utilizam mão de obra ilegal estrangeira, também chamadas de facções, em geral produzem para uma empresa intermediária, que repassa as peças para as grandes marcas. “Os trabalhadores são aliciados e já chegam aqui com dívidas, por isso têm de ficar no trabalho. Isso caracteriza o crime de tráfico internacional de pessoas”, aponta Fabíola. Foi constatado, segundo a procuradora, que a casa em Americana não comportava espaço físico para circulação, Havia também fios expostos e botijão de gás dentro do dormitório improvisado – já que os trabalhadores cozinhavam dentro do quarto.
Apesar do porte da revista Veja a melhor cobertura completa desse assunto eu encontrei no site Coletivo Verde.

Corre lá: http://www.coletivoverde.com.br/zara-trabalho-escravo/
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