O aposentado Ary Fernandes Castijo, 51 anos, acusado de isolar a mulher por 18 anos, foi condenado pela Justiça a cumprir um total de 40 anos de prisão e mais 4 anos em regime semi-aberto. Castijo foi preso em flagrante em maio de 2008 em Pedranópolis, interior de São Paulo, depois que sua mulher, de 37 anos, denunciou o caso à família.
No inquérito e no processo, a mulher contou que, desde que casou com Castijo, era proibida de deixar sozinha o sítio onde morava, na zona rural, a 2 km do centro da cidade. Além de ficar isolada e impedida de visitar a família, a mulher contou que era submetida a trabalhos forçados, como ordenha de leite e colheita da lavoura. O marido, segundo o processo, ainda praticava crimes sexuais contra ela, sempre sob ameaças de morte.
A sentença, do juiz Evandro Pelarin, da comarca de Fernandópolis (SP), deve ser publicada na segunda-feira no Diário Oficial do Estado, mas Castijo vai recorrer das acusações no Tribunal de Justiça em liberdade, por conta de um habeas-corpus obtido em dezembro de 2008.
De acordo com Pelarin, o aposentado foi condenado a 20 anos em regime fechado por estuprar a mulher e a mais 20 anos, também em regime fechado, por violentá-la, sem que ela tivesse chances de defesa. "Ficou comprovado que ele a obrigava a manter relações com ele contra a vontade dela", disse Pelarin, lembrando que, na ocasião em que o aposentado foi preso, os policias apreenderam armas e munições no sítio dele.
Por submeter a mulher às condições análogas à escravidão, Castijo foi condenado a pena de três anos e três meses em regime semi-aberto. A vítima, segundo Pelarin, "era submetida a uma jornada exaustiva de trabalho, com início por volta das 5h e término por volta das 22h, diariamente, sem folgas nos sábados ou domingos".
Pelarin também explicou que Castijo foi condenado a mais 11 meses e 20 dias, em regime semi-aberto por manter a mulher em isolamento. Mas segundo ele, não se trata do crime de cárcere privado, que foi substituído por constrangimento ilegal. "As provas produzidas foram capazes de demonstrar que a situação da vítima não era de confinamento ou enclausuramento, mas sim de privação da liberdade de autodeterminação, de pensamento, de escolha, de vontade e de ação", explicou.
DENUNCIE a violência doméstica
Centro de Atendimento à Mulher: disque 180
ou
Combate contra a violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes: disque 100
* a ligação é gratuita.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3857607-EI5030,00-Condenado+homem+que+escravizou+e+estuprou+mulher+por+anos.html
3 comentários:
Geralmente as mulheres e crianças sofrem violencia domestica mais por medo a denuncia não é feita isso deve mudar concordo. bjo meu blog
http://enfermagemdiario.blogspot.com/
Você faz um excelente trabalho social com o seu blog, parabéns!
Esse cara deveria ter pegado muito mais anos de cadeia. Fico espantado toda vez que vejo esses crimes bárbaros apesar de estarem se tornando comuns.
Olá Juliana e Murillo sejam bem vindos.
É verdade sim, a grande maioria das mulheres tem medo de denunciar e isso acontece por DIVERSAS razões. Vai da vergonha, ao medo, à total dependência financeira. Por isso é importante que TODOS NÓS facilitemos para que os obstáculos que essas mulheres encontram para denunciar seus agressores sejam eliminaodos.
Podemos ajudar
- abrindo os olhos. Os nossos, a fim de evitar que sejamos vítimas de um relacionamento dessa natureza, e os olhos de nossos amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho e até mesmo o de uma estranha na rua que apresente marcas de violência.
É muito importante que essas pessoas sejam notadas, chamadas pra perto, pro conforto de alguém que vai ouvir, e depois tentar ajudar. É importante que a vítima de violência doméstica perceba e seja estimulada a quebrar o ciclo da violência, sabendo que pode contar com alguém.
- informando pessoas (o máximo de pessoas possível, sejam vítimas da violência ou não) sobre os efeitos de uma denúncia, sobre as possibilidades de punição de agressores, sobre casos em que agressores realmente foram presos por violência domestica. Esse fluxo de informações é importante para que não se caia na armadilha de pensar que tudo sempre ficará ipune e que não adianta denunciar.
- voluntariando: existem tantas ONGS, abrigos, movimentos em prol da mulher no nosso país, mas esses movimentos, apesar da boa intenção, não contam com a infra-estrutura e com o número de voluntários que seria preciso para realmente dar suporte a todas as mulheres que precisam de uma conversa, de suporte psicológico, de cuidados médicos, de um lugar para dormir sozinha ou com os filhos, após fazer a denúncia, etc...
Ir lá, colocar o dedo na cara machucada delas e dizer: denuncie não é o suficiente. Infelizmente.
Então espero que façamos a nossa parte: oferecendo mais do que um conselho a essas mulheres.
Um abraço :)
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