domingo, maio 31, 2009

FÁTIMA - UM TESTEMUNHO SOMALI


Tente imaginar como é viver em um dos maiores campos de refugiados do mundo, na fronteira do Quênia, com milhares de refugiados somalis lutando para sobreviver por mais um dia.

Se sobreviver já é bem difícil, imagine então educar a si mesmo.

Contrariando todas as apostas, uma adolescente somali, chamada Fátima, conseguiu estudar noite após noite, sozinha, em um prédio abandonado, sujo e com o cheiro insuportável de restos de barris de óleo, até, finalmente, conseguir competir e superar todas as outras garotas do nordeste do Quênia que tentavam uma vaga na Kenya High - uma das melhores escolas para garotas do Quênia.

Atualmente Fátima passa a maior parte de seus dias na mesma escola em que estudam as filhas de Ministros, juízes e empresários que estão no topo da pirâmide econômica do continente africano.

Entrevista com Fátima

(Repórter da BBC)

Como é a vida em um campo de refugiados?
Muito difícil. É difícil viver lá, mas as circunstancias te forçam a continuar. As pessoas não recebem comida o suficiente... A comissão de assistencia das Nações Unidas fornece um pouco de carne e óleo, mas todo o resto está em falta, inclusive água. Não é nada fácil.

O campo é tão lotado. Como você conseguiu encontrar um lugar calmo para estudar?
Sim, é tão lotado que uma classe chega a ter 70 estudantes. Eu costumava pegar lanternas e qualquer livro que eu via pela frente e sair à noite para tentar estudar em paz.

Agora você estudando onde as filhas de Ministros, juízes e empresários estudam. Como você se sente?
Elas podem ser filhas de pessoas importantes. Mas lá vestimos o mesmo uniforme, portanto somos iguais.

O que você quer fazer quando terminar os estudos nessa escola?
Eu quero ir para uma faculdade no norte da África. Quero ser médica. Por quê?Porque nos campos de refugiados crianças morrem todos os dias por causa de doenças bem simples. Eles não têm atendimento médico. E eu tenho esse sonho de poder ir para universidade e poder conseguir o conhecimento e os medicamentos para ajudar todas essas pessoas.

Sendo uma garota que nasceu na Somália, você tem muita sorte por conseguir frequentar a escola, não tem? Qual é a realidade das outras garotas?
A maioria das garotas da Somália não vai para a escola. Com 15, 16 anos elas se casam e só ficam em casa, fazendo os afazeres domésticos e nunca vão para a escola.

É perigoso que elas tentem se educar?
Sim. Não só para elas, mas para os garotos também. Eles não vão à escola porque sempre tem tiroteio e as pessoas matam umas às outras. É muito perigoso tentar ir para a escola, e é impossível se concentrar nos estudos com todos aqueles tiros.

Qual é a sua mensagem para as garotas e garotos que estão nos campos de refugiados?
Apesar de serem campos de refugiados, lá dentro existem algumas oportunidades que você pode aproveitar, e estudar é uma delas, se você tiver força de vontade. O meu conselho é: se esforce bastante; estude muito, muito, muito. A sua educação é a chave para qualquer futuro bom.



Fonte:

BBC Global News Highlights Podcast - 29 de maio de 2009 (09:00)
imagem:
http://www.5cense.com/Africa/EA10_Dertu.htm
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