sexta-feira, maio 01, 2009


DELARA DARABI FOI EXECUTADA NO IRÃ


Foi com absurda surpresa e tristeza que li, há pouco mais de uma hora, a notícia de que Dela Darabi foi enforcada hoje de manhã.

Venho acompanhando este caso já há alguns meses. Sempre com grandes esperanças de que o desfecho do mesmo fosse feliz e, acima de tudo, justo, mas o que era para ser uma visita rotineira ao site oficial da Amnesty International transformou-se em veto a qualquer possibilidade de justiça no Irã.

Traduzi às pressas o seguinte comunicado oficial (vide post anterior – texto em inglês):“As autoridades iranianas executaram Delara Darabi esta manhã, na Rasht Central Prison.”

Ela foi a segunda pessoa executada este ano, após ser condenada por um crime que ela havia alegado ter cometido quando tinha menos de 18 anos.

"A Amnesty International está revoltada com a execução de Delara Darabi, e em particular com a notícia de que seu advogado não foi informado sobre a execução, apesar de solicitações formais e legais de que ele deveria receber um aviso de pelo menos 48horas de antecedência à execução" disse Hassiba Hadj Sahraoui, representante do Programa do Oriente Médio e da África do Norte.
“Isto parece ter sido um movimento sorrateiro por parte das autoridades para evitar protestos locais e internacionais que poderiam ter salvado a vida de Delara Darabi.

Delara Darabi foi enforcada apesar de no dia 19 de abril de 2009 sua execução ter sido oficialmente adiada por dois meses pelo Poder Judiciário do Irã.

“O que significa que até mesmo as decisões tomadas pelo Poder Judiciário não têm peso e são desconsideradas naquela região”, declarou Hassiba Hadj Sahraoui.

Delara foi condenada pelo assassinato de um parente em 2003, quando tinha 17 anos. À princípio ela confessou o crime acreditando que, por ser menor de idade, salvaria o seu namorado da execução. Ela estava presa na Rasht Prison no norte do Irã desde 2003 e desde então vinha se dedicando à pintura.

A Amnesty International considera que Delara não teve um julgamento justo, uma vez que a corte recusou evidências, apresentadas pelo advogado de defesa, que poderiam ter provado que Delara não cometeu o assassinato pelo qual foi condenada à morte.

A Amnesty International tem se empenhado a salvar a vida de Delara desde 2006 através de uma campanha que implorava que as comunidades Iranianas anulassem a condenação de pena de morte e abrissem um segundo julgamento pautado em procedimentos de padrão internacional.

A execução de Delara eleva para 140 o número de execuções ocorridas no Irã, apenas este ano. Ela foi a segunda mulher a ser executada. O Irã executou pelo menos 42 jovens desde 1990, sendo que 8 deles foram mortos em 2008 e 1 em 21 de janeiro de 2009 – em ações completamente alheias às leis internacionais que, sem exceções, bane a execução daqueles que, menores de 18 anos, forem condenados por qualquer crime.
Postar um comentário

Postagens populares