segunda-feira, maio 04, 2009


BRASIL TEM 3,5 MILHÕES DE CRIANÇAS HIPERTENSAS


O foco das atenções no dia 26 de abril foi a hipertensão arterial, já que este é o Dia Nacional de Combate à doença. Muitos acreditam que o problema está relacionado apenas aos adultos. Mas trata-se de um sério engano. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), cerca de 3,5 milhões (5%) de crianças e adolescentes do País são portadores de pressão alta.

Segundo dados parciais de uma pesquisa conduzida pela nefropediatra Denise Saraiva, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), 15% das pessoas de 11 a 18 anos avaliadas em uma escola pública da cidade de Campinas, São Paulo, são consideradas pré-hipertensas ou hipertensas. Dados semelhantes foram observados pelo núcleo de atendimento ambulatorial da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Paulo.

A obesidade infantil é o principal fator de risco para desenvolver a patologia nos pequenos. E o número de jovens do País com sobrepeso ou obesidade tem aumentado nas últimas décadas, principalmente por causa dos hábitos alimentares inadequados e pelo sedentarismo.

A doença é caracterizada pelo aumento dos níveis de pressão arterial. "Para ser considerado hipertenso, é preciso fazer várias medidas em dias e horários diferentes, e a maior parte delas tem de ser considerada alta", diz José Luís Aziz, professor de cardiologia da Faculdade de Medicina do ABC e presidente da regional ABCDM da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

É importante ressaltar que a pressão ideal de uma criança ou adolescente depende de sua altura, sexo e peso. A de um adulto acima de 18 anos, por sua vez, é a de 120/80 mmHg, sendo que valores até 130/80 podem ser considerados satisfatórios.

Há dois tipos de hipertensão. A primária é a mais comum e não tem uma causa específica, mas muitos fatores associados. "São: componente genético, já que filhos de hipertensos têm 30% mais chance de virem a ser também hipertensos; dieta desequilibrada, com muito carboidrato e sal; obesidade, sedentarismo, estresse", enumera a cardiologista Fernanda Consolim-Colombo.

A secundária, por sua vez, é uma resposta a algum problema, como alteração nos rins ou artérias renais, na tireóide ou nas glândulas supra-renais, por exemplo. "No caso da primária, pedimos para que as crianças mudem os hábitos inadequados. Se não resolver ou se a pressão for muito alta, é preciso associar tratamento medicamentoso. No segundo tipo, tem de solucionar o que desencadeou a hipertensão", explica Fernanda.

Patricia Zwipp e Rosana Ferreira
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